REGIÃO DE MARINGÁ

Aspectos Econômicos

Ocupação

A ocupação no Norte do Paraná tem sido alvo de investigação por parte de estudiosos por se constituir em processo ímpar na História do Brasil. Isso, em vista da rápida efetivação do povoamento e pelas particulares características com que se processou.

Os primeiros movimentos ocupacionais da região surgiram somente a partir da segunda metade do século XIX. Entre 1860 e 1925 a ocupação se deu através da penetração de imigrantes estendendo-se do Rio Itararé ao Rio Tibagi, região hoje denominada de Norte Velho. A exploração agrícola inicial teve características semelhantes às verificadas no Estado de São Paulo, marcada pela estrutura fundiária baseada em grandes propriedades, regime de trabalho e técnica agrícolas similares. Portanto, somente a partir do início do século XX é que a ocupação do Norte do Paraná passa a adquirir uma nova feição, realizando-se de maneira organizada sob a ação de companhias de terras particulares, por meio de concessões e/ou alienações feitas pelo governo.

Entre 1920 e 1950 a ocupação se dá na região que se estende entre os rios Tibagi e Ivaí, denominada Norte Novo, onde se localizam Maringá e Londrina, sendo por estas cidades polarizada. A ocupação continua para o Oeste e, no período entre 1940 e 1960, dá-se na região Norte Novíssimo, também designada como Noroeste, que se estende até o Rio Paraná, ultrapassa o Rio Ivaí e abrange toda a margem direita do Rio Piquiri. Esta região, juntamente com parte da região Norte Novo, é integralmente polarizada por Maringá.

A ocupação da região foi favorecida: a) pela impossibilidade de expansão da cultura cafeeira do Estado de São Paulo, já que as leis de restrição ao plantio do café, de 1931, aplicadas a todos os estados que tivessem atingido uma plantação superior a 50 milhões de pés de café, não atingiam o Paraná, que recém se iniciava nessa cultura; b) pela reconhecida fertilidade de suas terras roxas; e c) pela conjuntura internacional do café.

Esses fatores despertaram, nacionalmente, um grande interesse pelo Norte do Paraná, ensejando que as companhias particulares, notadamente a Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, empreendessem a mais significativa obra de ocupação dirigida no território brasileiro.

 

Sistema Econômico

A região, bem como o Estado do Paraná tinham – até a década de 60 – o café como seu setor dinâmico, representando mais de 40% do produto do setor agrícola, caracterizando a economia como primária exportadora, tendo os demais setores dependentes do setor primário.

As grandes geadas, a conjuntura internacional do café refletida em seu preço e a política de erradicação dessa cultura, fizeram com que o plantio fosse reduzido drasticamente. Com isso, novas culturas foram introduzidas no meio rural da região, com concepção tecnológica diferente da utilizada no café, mostrando-se mais intensivas de capital, poupadoras de mão-de-obra e de produção em larga escala. Ganharam espaço nesse novo cenário a soja, o trigo, o algodão, o milho, a cana-de-açúcar e o criatório, este com a expansão das pastagens.

Com a introdução de novos cultivos a economia paranaense altera sua matriz produtiva e, no decorrer dos Anos 70, experimenta expressiva expansão e industrialização. É o marco da troca da economia primária pela industrializada, conforme dados da tabela a seguir.

PARANÁ: Composição do PIB
Ano Indústria Comércio Serviços Agricultura
Fonte: IPEA até o ano de 1998; IPARDES de 1999 a 2000.
1970 16,88 20,78 34,36 27,97
1975 21,34 16,49 31,88 30,29
1980 34,63 13,23 31,3 20,84
1985 34,84 9,07 33,37 22,72
1990 36,3 12,8 37,2 13,7
1996 32,89 9,37 42,08 15,66
1997 32,77 9,37 41,92 15,92
1998 32,88 8,43 42,65 16,04
1999 39,71 6,65 39,53 14,11
2000 41,27 7,32 37,75 13,66

Os setores mais dinâmicos da economia passaram a ser material de transporte, fumo, mecânica, metalurgia, vestuário, produtos alimentícios, bebidas, papel e papelão e materiais elétrico e de comunicação.

A região de influência de Maringá participa com aproximadamente 16% da formação do PIB paranaense, o que corresponderia a US$ 7,65 bilhões em 1998, de acordo com o IPEA. Apesar da grande disponibilidade de matérias-primas, das condições infra-estruturais que oferece e de seu posicionamento estratégico, a região é, ainda, menos industrializada do que o Estado, permanecendo sua economia fortemente baseada nas atividades agropecuárias. A composição do PIB regional, segundo os últimos dados divulgados (1998), é de, aproximadamente, 29% para o setor Agropecuário, 33% para o setor de Serviços, 9% para o Comércio e de 29% para a Indústria.

Além de ser de expressiva participação relativa na formação da riqueza regional, o setor primário é base da atividade econômica e grande fornecedor de matérias-primas, não só para a indústria regional como também para outras regiões e para o exterior. A participação na produção estadual de produtos primários é significativa, conforme mostram os dados da tabela a seguir.

REGIÃO DE MARINGÁ: Oferta de produtos primários – 2002/2003
Produto Unidade Região Paraná % Região
Fonte: DERAL – SEAB/PR
Milho Ton. 2.108.308 13.328.054 15.82
Soja Ton. 2.850.171 10.979.172 25.96
Mandioca Ton. 1.131.520 2.420.690 46.74
Café Ton. 27.828 118.322 23.52
Cana-de-açúcar Ton. 17.323.976 30.693.068 56.44
Algodão Ton. 39.706 69.105 57.5
Trigo Ton. 453.734 2.704.119 16.78

É essa base de produção agrícola que dá à indústria da região a sua característica agroindustrial. Essa característica atribui à região grande potencial de industrialização, tanto em setores e atividades demandadores dessas matérias-primas, como para o alongamento da cadeia produtiva da agroindústria.