Em meados da década de 90, algumas lideranças empresariais locais tiveram a percepção de que a economia de Maringá estava perdendo o seu dinamismo. Maringá é uma cidade pólo de vasta região, 127 municípios e aproximadamente 1,8 milhões de habitantes e possuía uma economia fundada na atividade industrial, mas significativamente dependente das atividades primárias. Também a sua função de prestadora de serviços regionais, apresentava elevado grau de dependência com a dinâmica do setor primário regional.
Alguma forma de intervenção era necessária para que a cidade retomasse o seu processo histórico de desenvolvimento. Nitidamente o modelo primário exportador que era a base da economia regional e que, portanto, indutor do processo de crescimento e desenvolvimento local, se mostrava esgotado. Alguns anos depois foi possível detectar as causas que levaram a economia local à redução do seu crescimento. É um conjunto de três fatores econômicos importantes que influenciaram nesse processo.
Primeiro, a combinação da abertura econômica com conseqüente redução das tarifas de importação promovida pelo Governo Collor com a efetiva implementação do Mercosul a partir do Acordo de Ouro Preto, expôs a falta de competitividade da economia local e regional à concorrência internacional. Produtos regionais perderam seus mercados para os concorrentes argentinos, principalmente, facilitados pela eliminação das tarifas alfandegárias e por uma política de câmbio favorável aos concorrentes. A produção primária e o processamento industrial de produtos tais como algodão e trigo praticamente desapareceram da região. A produção de carne foi fortemente atingida e o seu processamento deixa de ser realizado. A produção de leite e seus derivados é imediatamente substituída pela concorrência argentina e uruguaia. Esses fatos que são exemplificativos refletem diretamente nas atividades industriais e de serviços de Maringá.
Segundo foi o agravamento desse quadro provocado pela âncora cambial do Plano Real que submeteu toda a indústria à competição internacional facilitada pela apreciação da moeda nacional.
No final da década de 80 e início da década de 90, inicia-se na região a formação de uma indústria têxtil e de confecções, conseqüentes da grande produção regional de algodão e da emergente produção de seda. Também toda a indústria de confecção, altamente empregadora de mão-de-obra é altamente atingida pela competição externa com produção de boa qualidade com preços reduzidos, principalmente pela valorização do Real.
A percepção concomitante desse quadro foi fundamental para o rearranjo do sistema produtivo local. Neste aspecto é mister registrar a visão privilegiada de algumas lideranças, que entre elas podem ser destacadas, os Senhores Hélio Costa Curta e Jefferson Nogaroli, presidente e vice-presidente, respectivamente, da ACIM –Associação Comercial e Empresarial de Maringá-, o Senhor Carlos Walter Martins Pedro, coordenador regional da FIEP –Federação das Indústrias do Estado do Paraná-, e do Dr. Paulo Roberto Pereira de Souza, ex-reitor da UEM e ex-secretário de Estado do Paraná.
Essas lideranças iniciaram um processo de discussão e envolvimento de outras lideranças representativas de entidades empresariais, de classes, políticas, de clubes de serviços, religiões, de ONGs, de Instituições de Ensino, com o propósito de buscar, juntos, a definição de um novo caminho para a Cidade de Maringá.
Dessa ação resultou o envolvimento de aproximadamente 80 líderes e acabou sendo batizado como Movimento Repensando Maringá. Este movimento contou com o suporte técnico do SEBRAE local que organizou e conduziu um grande workshop com o objetivo de estabelecer uma visão de futuro para a Cidade, a Maringá 2020, ou seja, estabelecer a cidade desejada para o futuro.
A partir desse momento, a sociedade organizada já passava a formar convicção sobre o que pretendia para a sua Cidade. No entanto, esse esforço de organização, articulação e de formação de visão de futuro não poderia constituir-se somente num esforço isolado e que não provocasse reflexos no processo de desenvolvimento da Cidade. Em razão disso, a sociedade organizada articulou-se com o poder político no sentido de se estabelecer instrumentos que fossem capazes de dar continuidade ao esforço de organização da sociedade e de ver realizada a cidade imaginada para o futuro.
Chegou-se, então, a proposição de criação do Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá –CODEM-, instituído por Lei Municipal –(nº 4275, de 11/09/96), como órgão do Município, encarregado de propor e fazer executar políticas de desenvolvimento econômico e com competências deliberativas e consultivas.
Além disso, entendeu-se, também, que deveriam ser disponibilizados pelo Município, recursos que pudessem financiar a elaboração de estudos, projetos e planos de desenvolvimento, o fomento do desenvolvimento, e o investimento em infra-estrutura e na formação de capital de empreendimentos. Resulta daí a criação do FMD –Fundo Municipal de Desenvolvimento Econômico-, por meio da Lei Municipal nº 4274/96, na mesma data da criação do CODEM.
O Conselho foi efetivamente implantado, com a posse de todos os seus membros e eleição de sua primeira Mesa Diretora, em 15/05/1997.
Os objetivos para a Maringá 2020, bem como as diretrizes de desenvolvimento, são periodicamente revistos e renovados e se constituem no norte orientador das ações e da construção das políticas de desenvolvimento pelo CODEM para a cidade de Maringá.